Vozes veladas
no frio da madrugada
corpos dormentes
na gélida calçada
Pensamentos de esperança
anuviados na criança
a sonhar:
com a fome saciada,
um lar para morar.
- Mamãe tô com fome...
- Mamãe tô com frio...
- Num tem nada pra cume, fio!
olhos a chorar
numa desesperança sem par.
...
Noite após noite
a vagar
na esperança do Amanhã.
O Amanhã sempre a fugir
dos olhos marejados,
das bocas a bramir.